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Home Cultura e Sociedade Eventos,Sociais, Gerais Só a morte para calar um Tchê Loco

Só a morte para calar um Tchê Loco

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O cantor e compositor Rui Biriva, morreu às 22h45min da última segunda-feira(25). O músico estava no Hospital das Clínicas em Porto Alegre, internado desde 14 de abril, para o tratamento de um tumor no intestino grosso, diagnosticado em abril de 2010.

Rui Biriva nasceu em Horizontina, batizado como Rui da Silva Leonhardt filho de Adalíbio(falecido havia 12 anos) e Malvina, uma família de pequenos agricultores, é o caçula entre três irmãos. Até os 10 anos estudou no interior do município, no Distrito de Esquina Eldorado, onde morava, aos 11 anos foi estudar na cidade e a partir dos 12 começou a participar dos festivais estudantis de música.

O contato com a música vem desde cedo, o pai que foi músico, era proprietário, nos fundos da casa da família, do CTG Peão do Alto Uruguai. Foi no salão de baile da entidade que o cantor começou a familiar- se com nomes como: Irmãos Dias, o trovador Portela De Lavi – autor da antológica Pára Pedro, Os Araganos, José Mendes – de quem posteriormente regravou alguns sucessos e a dupla Norinho e Ediles Nunes.

Aos 14 anos venceu o 3° Festival Estudantil da Canção (FEC), da cidade de Três de Maio, interpretando a música Good bye my Love good bye, de Demmis Roussus. É neste mesmo município, que ele participaria nos dois anos seguintes do Grupo Magia Som, conjunto de covers em que interpretava músicas de nomes como: Led Zeppelin, Yes, Deed Purple, Elton Jonh e Rod Stewart, apresentavam-se na região da grande Santa Rosa.

Em 1976, o pai compra uma indústria moveleira em Medianeira/ PR, Rui vai estudar em Cascavel, local onde conclui o 2° grau e participa ativamente de vários festivais de música. Decide então ir para São Paulo com o objetivo de fazer carreira artística. Na capital paulista, trabalhou como vendedor de roupas e durante sua estada na cidade fez cursos de canto e teatro.

No final de 1981, retorna para Horizontina. O então prefeito do município, Irineu Colato, que havia sido seu professor na escola, elege – se deputado federal e o convida para ser seu assessor parlamentar em Brasília. Mas as ruas sem esquinas e a falta de um bolicho para conversar com os amigos fazem com que Rui desista de trabalhar na capital federal, transferindo- se então para Porto Alegre, com o objetivo trabalhar para o deputado na capital dos gaúchos. Na Assembléia Legislativa, conhece Airton Pimentel que o convida para interpretar a música Birivas na 4ª Seara da Canção, em Carazinho, no ano de 1984, a composição vence a linha Galponeira do festival, e Rui conquista ainda, o prêmio de melhor intérprete do evento e principalmente, a partir daí, com o sucesso da música, nascia o apelido Biriva. O público começou a associar o nome da composição com o cantor, assim Rui deixou aos poucos, o sobrenome Leonhardt ser trocado por Biriva.

No ano seguinte, Rui Biriva retorna à Seara para apresentar uma música sua com José Luis Vilela, chamada Santa Helena da Serra, que também vence o festival. O diretor na época da Gravadora Continental Wilson Souto Jr. – hoje responsável pela Gravadora Atração, assiste a apresentação e entusiasmado com seu trabalho, convida-o para gravar pela companhia paulista. Em 1986, grava pela gravadora Continental o 1° álbum de sua carreira.

Rui obteve importantes prêmios em festivais nativistas, entre eles: Califórnia, Tertúlia, Musicanto, Seara e Coxilha. A música Quebrando Tudo, de sua autoria, juntamente com o sobrinho Sidnei Franck, ganhou destaque nacional ao ser utilizada como uma das trilhas do Programa do Ratinho.

Como compositor já teve seu trabalho cantado por inúmeros colegas como: Dalvan, Daniela Mercury, Os Nativos, Os Serranos, Osvaldir e Carlos Magrão, Gilberto e Gilmar, Gaúcho da Fronteira, entre outros. Em 2000, deu início a uma trajetória internacional, ao realizar uma turnê de 20 dias por Portugal, onde fez os portugueses, dentro de um avião, cantar os versos de Quebrando Tudo, quando notaram sua presença no interior da aeronave.

Entre os maiores sucessos da carreira de Rui Biriva, destaque para: Tchê Loco, Santa Helena da Serra, Birivas, Festança, Pé na Estrada, Amigo, Vamo Pegá, Castelhana e Quebrando Tudo, Canção do Amigo, Das Bandas de Horizontina e Tonto de Saudade.

Das premiações mais recentes de sua carreira, destacam-se: Cidadão de Destaque da cidade de Horizontina, Top Of. Mind, da Revista Amanhã por duas vezes na categoria Cantor Regionais e Troféu Guri, do Sistema RBS.

Rui apresentou programas nas rádios: FM Cultura (Um Bom Dia Meu Rio Grande) e Festança Rural na rádio Rural. Em televisão esteve à frente do Mateadas na TV Assembléia e atualmente comanda o Paralelo Sul, aos domingos na TVE e Estrada do Sul na Rádio Rural.

Na área discográfica, está comemorando a conquista do Disco de Ouro pela vendagem de 50.000 cópias de seu novo CD intitulado Na Estrada do Sul.

Rui deixa a esposa Priscila Dutra. Com ela tem o filho Jerônimo. No primeiro casamento, Biriva teve outros três filhos e possui também uma neta. Ambos residem no Paraná.

O corpo do músico está sendo velado na Câmara de Vereadores de Horizontina e será sepultado na manhã desta quarta-feira(27) no cemitério municipal. O cortejo fúnebre deve deixar a Câmara de Vereadores após uma celebração de corpo presente comandada pelos pastores da IECLB e percorrer uma das avenidas centrais da cidade até o cemitério. O corpo será levado em carro aberto do Corpo de Bombeiros.

(colaboraram: Darci Winter(PIBI), Adilson Franck, Dari Nass e Sidnei Franck)

 

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