Greve dos trabalhadores suspende produção na John Deere em Horizontina
Seg, 15 de Março de 2010 19:05
Paulo
Trabalhadores decidiram cruzar os braços em assembléias na madrugada mas empresa avisa que só discutirá aumento salarial em Maio
Os metalúrgicos da John Deere planta industrial de Horizontina deflagraram greve nesta segunda-feira(15) paralisando a produção de colheitadeiras, enquanto aguardam negociação de uma pauta de reivindicações apresentada, e 10% de aumento real em seus salários de forma imediata.
Os trabalhadores pedem ainda a retirada das câmeras de vigilância do setor produtivo, garantia de 10 dias de férias no final do ano, emissão de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) para todos os funcionários com doenças ocupacionais/profissionais e enquadramento salarial de todos os funcionários de chão de fábrica.
Sindicalistas de vários pontos do Estado e a Federação dos Metalúrgicos do RS estiveram na assembléia realizada a partir da madrugada, conforme os turnos de trabalho deveriam ingressar na fábrica. Alguns trabalhadores ingnoraram o movimento e ingressaram na empresa, mas o número foi insuficiente para movimentar as linhas de produção que em dia normal deveria produzir 14 novas colheitadeiras.
Os trabalhadores grevistas retornaram para suas casas e devem voltar a empresa nesta terça(16) onde uma nova assembléia decidirá sobre a continuidade ou a suspensão da paralisação.
O diretor de RH da companhia em Horizontina Edinei Schemes, lamentou a decisão extrema dos metalúrgicos, já que a empresa realizou uma reunião na sexta-feira passada, onde as negociações foram iniciadas. A John Deere considera a proposta de aumento real de salário exigida pelos trabalhadores em desacordo com os parâmetros das negociações salariais no Brasil, e aposta na coerência dos trabalhadores já que o momento é de retomada, onde o bom senso recomenda trabalhar juntos por melhores resultados, afirma o diretor.
“Não há perdas salariais acumuladas, a reposição por perdas inflacionárias foi garantida. Só vamos discutir salário no dissídio coletivo da categoria a partir de 1º de maio e os demais pontos de pauta estamos abertos a efetuar adequações e eventualmente correções”, justifica Edinei.
Segundo ele em 2009 apesar da crise, a John Deere garantiu aos seus trabalhadores em média 2,3 salários como participação nos lucros. “Não é o momento de ir por uma linha extrema como essa, onde o sindicato estabelece que ou se negocia 10% ou não se negocia nada”, finaliza.
O diretor confirma que no momento não há nenhuma reunião agendada com os trabalhadores para novas negociações em razão da greve.