Coluna Ezequiel em 03 Julho de 2009
Sáb, 04 de Julho de 2009 19:45
Paulo
O ouro azul
No “coração da América do Sul” está o Brasil com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Aproximadamente 170 milhões de brasileiros vivem no Brasil, com 12% do volume total da água doce de superfície do planeta. Importa lembrar que a abundância como a escassez são alvos da ganância de pequenos grupos econômicos. Com relação a realidade hídrica brasileira, tem-se que o Brasil possui uma das redes hidrográficas do mundo, além de extensas reserva de águas subterrâneas.
A bacia Amazônica, com mais de sete milhões de quilômetros quadrados – dos quase 3,9 milhões passam pelo território brasileiro – é a maior do planeta. Seu rios são responsáveis por 70% dos recursos hídricos do país. As águas do subsolo brasileiro, que formam aqüíferos, têm reservas estimadas em 112 bilhões de metros cúbicos, por exemplo, o Aqüífero Guarani. A Amazônia concentra 70% da água no país, abriga cerca de 7% da população brasileira.
Enquanto isso, a região Sudeste, com 42% da população, possui apenas 6% das reservas (dados da USP). A prática de desmatamento florestal, as queimadas e a monocultura colocaram o Brasil na segunda posição entre os países com maior índice de desmatamento, perdendo apenas para a China, segundo o relatório da ONG – Fundo Mundial para a Natureza, de 1999. Estimativas do Ministério do Meio Ambiente indicam que pelo menos 14,3% do território da Amazônia estava desmatado até o ano de 2000. Calcula-se que 9,3% do Produto Interno Bruto da região amazônica foram queimadas ou desperdiçados em 2001.
A floresta é a mais rica do mundo em biodiversidade, com um terço da madeira tropical do planeta. A proliferação do número de poços artesianos ocorre de forma irregular. Calcula-se que cerca de 70% dos poços perfurados no país sejam clandestinos. Doença como a diarréia, a coléra e a esquistossomose mataram, em 1998, 10.844 pessoas, quase 30 brasileiros por dia. Nos últimos anos, a política de saneamento no Brasil foi instrumento do ajuste fiscal das contas e esteve condicionada a regras impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao país.
A média de investimentos do governo federal em saneamento nos últimos 10 anos foi de 0,25% do Produto Interno Bruto. No ano de 2002, foi de 0,06% do PIB. Disso conclui-se que não há sentido o Poder Público financiar o privado, enquanto milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza, sem água e sem renda para pagá-la. Em março de 2000, quando a água foi definida como uma mercadoria no segundo “Fórum Mundial da Água”, em Haia, representantes de governos em uma reunião paralela, não fizeram absolutamente nada para efetivamente atacar a declaração.
Da antigüidade à modernidade água foi um símbolo importante nas lendas e histórias de muitas culturas antigas. A quantidade de água doce disponível é menos de 0,5% de toda a água da Terra. O restante é água do mar, das geleiras ou água armazenada no solo, inacessível aos seres humanos. O suprimento da água na Terra é finito. O total de água na Terra é aproximadamente 1,4 bilhões de quilômetros cúbicos (aproximadamente 330 milhas cúbicas).
Todas as fontes de água citadas, estão sendo taxadas em seu limite por razões do aumento da população. Pela primeira vez na história, o número de pessoas que vivem em cidades se equipara ao número de pessoas que vivem nas comunidades rurais. Há 22 cidades no mundo com populações superiores a 10 milhões de habitantes. Antes de 2030, diz a ONU, as cidades do mundo terão crescido 160%, e o dobro de pessoas morará nas cidades e nas zonas rurais. Daí que o consumo global de água está dobrando a cada 20 anos, mais que o dobro da taxa de crescimento populacional.
Uma residência canadense comum consome 500 mil litros de água por ano; cada banheiro – e muitas casas têm mais de um – usa 18 litros de água por descarga. Existe enorme quantidade de água jogada fora em razão de vazamentos nas infra-estrutura municipais dos países. Apesar da explosão do uso pessoal de água, residências e municípios respondem por apenas 10% do uso da água. A indústria reivindica o próximo grande pedaço dos suprimentos de água doce do mundo, de 20% a 25%, e suas demandas estão aumentando dramaticamente. Precisa-se de 400 litros de água para se fazer um carro. As práticas nocivas a água é uma ameaça que podemos denominar de “Planeta Seco”, se não for respeitado o uso dos recurso hídricos pela indústria.