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Coluna Ezequiel em 07 de agosto de 2009

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Tempos Líquidos

 

Liquid Times, é um livro de autoria de Zygmunt Bauman (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, 119 p., ISBN 978-85-7110-993-3) é um sociólogo polonês, de descendência judaica, nascido em 1925, em Poznań. Quando a Polônia foi invadida pelo nazismo em 1939, sua família refugiou-se na União Soviética. Bauman serviu na Polish First Army, sob o controle dos soviéticos. Neste período, o autor tomou parte nas batalhas de Kolberg e Berlin. De 1945 a 1953, Bauman passou a servir na Korpus Bezpieczeństwa Wewnętrznego (KBW), esta unidade foi responsável pela repressão à resistência ucraniana e germânica. Neste momento de incertezas, foi que o autor iniciou seus estudos em sociologia na universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular da universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos. Responsável por uma prodigiosa produção intelectual, recebeu os prêmios Amalfi, em 1989, por sua obra Modernidade e Holocausto e Adorno, em 1998, pelo conjunto de sua obra. Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia.

Em Liquid Times, o assunto primordial que permeia a obra é a insegurança e a ideia de incerteza. Um fenômeno que, para o Baumann, caracteriza a vida nas grandes metrópoles globalizadas. Neste sentido, as cidades são hoje verdadeiros campos de batalha, onde poderes globais se chocam com identidades locais. O resultado desta equação é a eclosão nímia da violência e da insegurança.

No primeiro capítulo, o autor manifesta sua preocupação em relação a liquefação do Estado-nação, face a sua incapacidade responder localmente ao estímulos globais. Segundo o autor, num planeta atravessado por “auto-estradas da informação”, nada que acontece em alguma parte dele pode de fato, ou ao menos potencialmente, permanecer do “lado de fora”. A sociedade não é mais protegida pelo Estado, ou pelo menos é pouco provável que confie na proteção oferecida por este. Ela agora está exposta à capacidade de forças que não controla e não espera, nem pretende, recapturar e dominar. “Aberto” e cada vez mais indefeso de ambos os lados, o Estado-nação perde sua força, que agora se evapora no espaço global, assim como a sagacidade e a destreza políticas, cada vez mais relegadas à esfera da “vida política” individual e “subsidiadas” a homens e mulheres. O que resta de política a cargo do Estado e de seus órgãos se reduz gradualmente a um volume talvez suficiente para guarnecer pouco mais que uma grande delegacia de polícia. A ideia do autor é de que o Estado reduzido dificilmente poderia conseguir ser mais que um Estado da proteção pessoal. Bauman afirma que num planeta negativamente globalizado, todos os principais problemas são globais e, sendo assim, não admitem soluções locais. Num mundo saturado de injustiças e habitado por bilhões de pessoas a quem se negou a dignidade humana vai corromper inevitavelmente os próprios valores que os indivíduos deveriam defender. Desta forma, a democracia e a liberdade não podem mais estar plena e verdadeiramente seguras num único país, ou mesmo num grupo de países. Sendo assim, o autor assevera que o medo é reconhecidamente o mais sinistro dos demônios que se aninham nas sociedades abertas de nossa época. Contudo, é a insegurança do presente e a incerteza do futuro, lembra o autor, que produzem e alimentam o medo mais apavorante e menos tolerável. Essa insegurança e essa incerteza, por sua vez, nascem de um sentimento de impotência.

No entendimento deste colunista, se enquadra neste contexto os atuais problemas: a polêmica gripe A que não tem uma origem muito clara. Num mundo dominado pela informação, temos cada vez menos comunicação, e nem sempre a informação gera conhecimento.

Exemplo disso é a confusão e falta de denominação para a atual gripe em que uns chamam-na de gripe suína, gripe A, N1H1 e, por fim, gripe espanhola. Aliado a isso, em nível local são várias as contradições. Existem pessoas que presume-se que são sabedoras se existem infectados ou não em Horizontina, uns preferem afirmar que existem e outros negam a assertiva gerando uma dúvida objetiva. Desta forma, percebe-se a dificuldade de se obter uma prova cabal de que existem motivos para a suspensão de eventos de “grande concentração”, onde uns preferem entender que mesmos os eventos que não se enquadram no conceito de grande concentração sejam suspensos. Inteligentemente, o Decreto do Município sai pela tangente e deixa em dúvida muita gente que não conhece o assunto e generaliza na tomada de decisões ou sabendo, interpreta-o de forma restritiva.

Embora fundamentado o Decreto, ao que tudo indica não haveria motivos para a suspensão de todos os atos e eventos no Município de Horizontina, em que pese o fato ser configurado uma “pandemia” por algumas autoridades sanitárias.

Por ser um conceito aberto, a expressão “grande concentração” acaba caindo na subjetividade de quem interpreta. Sabiamente, no modesto entendimento deste colunista, o Decreto não poderia restringir a liberdade de cultos, como de fato não o fez porque tal intervenção via decreto assemelha-se ao puro ato autônomo vedado pela Constituição quando cria, ataca, viola direitos garantidos pela Constituição da República.

Enquanto isso, observamos o desfecho da ação do MPF que visa o afastamento da atual governadora e o “seu novo jeito de governar”. Afinal, estamos em tempos líquidos, que tudo esvazia-se.

 

 

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