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NOVO MACHADO/Agricultores e Movimentos Sociais se unem contra barragem Panambi

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MAB Brasileiro e Missiones Sem Represas da Argentina condenaram modelo excludente do projeto energético 

Em torno de 400 agricultores e lideranças comunitárias, pastorais, políticas, sindicais e cooperativistas, reuniram-se na tarde da última quarta-feira no salão católico de Vila Pratos, no município de Novo Machado na presença dos movimentos de organização dos atingidos, MAB do lado brasileiro e o movimento provincial Missiones sem Represas, do lado argentino com base na cidade de Oberá.

O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens Ricardo Montagner revela preocupação com os quase 90 mil há que devem ser inundados pelos lagos formados pela Panambi e Garabí, um grande impacto ambiental. Outro impacto segundo ele, é o social. “Não se sabe ao certo, mas inúmeras famílias serão inundadas ou desalojadas nas áreas rurais e urbanas. Outro elemento preocupante é a condição negada ao morador ribeirinho de utilizar até mesmo a água para irrigação, produção de alimentos de subsistência ou atividades compatíveis, uma verdadeira violação de pelo menos 16 diferentes direitos humanos, segundo um estudo do MPF e UFRJ”, destaca.

O modelo desigual do setor energético brasileiro, tanto na geração, quando na geração e distribuição de energia também sofreu críticas. “Quem paga a conta das altas tarifas é o povo e quem fica com o lucro são grandes empresas nacionais e multi-nacionais que levam a concessão dos serviços”, destaca.

Montagner também afirma ser enganosa a afirmação de que a barragem trará empregos e desenvolvimento para a região. Ele recomenda visitar as barragens de Fóz do Chapecó, Machadinho, Itá, Barra Grande e Campos Novos, todas na bacia do Rio Uruguai onde os empregos gerados são mínimos e os royaltes gerados aos municípios não pagam o retorno que foi perdido com a produção que deixou de existir na área inundada. A melhoria da qualidade da energia também não fica na região, diz o representante do MAB: -” Ela é gerada e jogada para o sistema interligado, assim transferida aos grandes centros consumidores”, esclarece.

Tanto o MAB, quanto o movimento Missiones sem Represas, recomendaram a união das familias atingidas, suas lideranças e entidades para lutar, senão pelo abortamento do projeto, então pela sua mudança, para que seja preservada a identidade dos povos, das comunidades. “ Em Itá, não conseguimos impedir a construção da barragem, mas mudamos o projeto, com isso salvei minha terra, a igreja, o salão e o cemitério de nossa comunidade rural”, revelou o representante do movimento. Foi por isso, segundo ele, que hoje integra a luta nacional contra qualquer barragem de grande porte.

O pastor Eugênio Albrecht, da Igreja Luterana diz que o Uruguai nunca deveria ter dividido as Missões. -”O Rio Grande e nossa provincia de Missiones nunca deveriam ter sido repartidos, somos parte de uma mesma cultura a maioria das coisas nos unem. É um projeto faraônico que precisamos combater, diante de uma realidade que não vai nos ser benéfica. A igreja tem de estar ao lado do povo, como Jesus não podemos caminhar ao lados dos poderosos, nem sentar-mos a mesa com os ricos, sim com os que mais precisam, é uma luta pela vida”, resumiu o religioso.

A coordenação do encontro foi do pároco da comunidade católica São Roque de Tucunduva e Novo Machado Eurides Welter. O prefeito de Novo Machado Airton Moraes, de Tucunduva Mateus Busanello e de Doutor Mauricio Cardoso Antenor Desconsi(em exercício), o presidente da Câmara de Tucunduva Jorge Salgadinho, a vereadora Cecilia Bernardi, o presidente do STR Albertino Pacheco entre outras lideranças estiveram presentes.

 

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