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Home Saúde Saúde e Qualidade de Vida Secretaria Estadual da Saúde divulga material contendo Mitos&Verdades sobre a Gripe A

Secretaria Estadual da Saúde divulga material contendo Mitos&Verdades sobre a Gripe A

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A multiplicação de casos suspeitos da gripe A com aumento no número de mortes em função do vírus traz uma avalanche de informações desencontradas. Para tentar conter a onda de especulações, a Secretaria Estadual da Saúde esclareceu nesta manhã pontos controversos da epidemia e combate reações exageradas.

Enquanto algumas pessoas evitam sair às ruas, outras enfrentam dúvidas sobre se devem ir a um hospital, entrar em um ônibus lotado ou se dedicar a atividades de lazer como ir a um cinema. O dano causado pela doença no imaginário popular também provoca o surgimento de surtos de boatos como suspeitas de que autoridades de saúde estejam omitindo registros de óbitos provocados pela nova gripe.

O Rio Grande do Sul enfrenta, de fato, a epidemia provocada por um vírus até poucos meses atrás desconhecido, mas não há motivo para histeria, segundo atestam médicos e autoridades. – As pessoas precisam saber que é um vírus novo, que pode levar à morte, mas que, em mais de 99% dos casos, a recuperação é tranquila. Pessoas sempre morreram de gripe, mas antes não se falava – argumenta o médico Breno Riegel Santos, chefe do serviço de Infectologia do Hospital Conceição.

CONFIRA OS MITOS E AS VERDADES SOBRE A GRIPE A
O número de infectados é maior do que os 20 mil estimados pela Secretaria Estadual da Saúde?

Não há indícios de que o número seja maior no Estado. Seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país deixou de fazer os exames de todo caso suspeito de gripe. O crescimento da epidemia superou a capacidade dos laboratórios em várias partes do mundo, e a OMS recomendou aos governos para testar apenas os casos graves a fim de poupar os recursos. Por isso, os governos apenas estimam o número de contaminações, seguindo padrões internacionais.

O número de mortos com comprovação de gripe A é maior do que as 25 vítimas anunciadas no RS?

Não. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde contabiliza, assim como outros órgãos de saúde ao redor do mundo, o número de mortos e traça o perfil de cada um para monitorar a epidemia e identificar eventuais surtos localizados ou vítimas preferenciais. Esconder casos de óbito, embora pudesse tranquilizar a opinião pública, impediria ações de prevenção e seria uma medida contrariada por especialistas da área médica e gestores de saúde pública.

Municípios turísticos estariam deixando de registrar mortes como gripe A para não sofrer prejuízos?

Não. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, isso seria impossível porque o governo estadual toma conhecimento do resultado dos exames antes dos municípios. O material biológico dos pacientes suspeitos é encaminhado pelos hospitais para a Secretaria Estadual da Saúde, que o repassa aos laboratórios que fazem a análise do vírus. Depois disso, o resultado é encaminhado para o governo estadual, que informa o município.

Os hospitais estão evitando o uso de máscaras para não criar pânico na população?

Sim. A recomendação da Secretaria Estadual da Saúde é que os hospitais evitem o uso abusivo de máscaras para não despertar medo excessivo entre os frequentadores. O diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Francisco Paz, esclarece que a orientação repassada aos estabelecimentos é que as máscaras sejam utilizadas apenas por profissionais que entram em contato direto com pacientes suspeitos da gripe A ou pelos próprios doentes com sintomas da doença. Os demais são orientados a não usar a máscara.

Em uma pequena cidade do Interior, uma pessoa sob tratamento com Tamiflu morreu. Mesmo assim, o município não aparece na lista de mortos pela gripe A. O que isso significa?

A explicação mais provável é que ele estava tomando Tamiflu mesmo sem ter a doença confirmada. A orientação do Ministério da Saúde é que pacientes em estado grave não precisam esperar pelo resultado do exame para serem medicados. O que pode ter ocorrido é que, mesmo tendo tomado o remédio, o exame do mecânico foi negativo. Outra possibilidade é que, como a confirmação do exame demora alguns dias, o município ainda venha a fazer parte da lista.

A mãe de um aluno reclama que a escola do seu filho decidiu retomar as aulas hoje, e a família está com medo. Isso aumentará a chance de contágio?

A questão é controversa. Alguns epidemiologistas acreditam que o adiamento é inócuo, já que há outras fontes de contágio, ou capaz apenas de retardar a expansão da epidemia. Para outros, o adiamento das aulas pode ser uma maneira de evitar a aglomeração de alunos no auge do inverno – quando o risco é maior. O Centro Estadual de Vigilância em Saúde recomenda que, em caso de suspeita de gripe A, apenas as turmas com algum aluno que apresente sintomas entrem em recesso.

A divulgação dos casos pela imprensa cria pânico?

Especialistas na área da saúde, como o infectologista da USP Marcos Boulos, afirmam que a repercussão social dessa epidemia é muito maior em relação a outras porque é acompanhada caso a caso e, praticamente, em tempo real pelos meios de comunicação. Embora a cobertura de peso da imprensa possa contribuir indiretamente para um maior temor popular, é considerada fundamental para a prevenção e o controle da epidemia quando vem acompanhada de orientações de como agir diante da doença.

Hospitais estariam pedindo para que médicos e enfermeiros não se pronunciem sobre os casos de gripe. Isso está correto?

Não há ordem oficial impedindo profissionais da saúde de falar, mas a Secretaria Estadual da Saúde considera que limitar as manifestações sobre casos suspeitos da nova gripe é uma medida positiva. O diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Francisco Paz, considera que um grande número de médicos ou enfermeiros dando informações poderia levar a dados desencontrados ou sem confirmação oficial, o que poderia aumentar o medo entre a população.

O que é exagero

Fugir de locais públicos

As pessoas não precisam deixar de frequentar locais públicos, como shows, cinema e jogos de futebol. Não há como saber onde pode estar uma pessoa com o vírus. Por isso, dizem os médicos, o recomendado é seguir com a mesma rotina. O recomendado, sim, é evitar ambientes pequenos com muitas pessoas e pouca ventilação.

Usar máscara na rua

Não é necessário sair com máscara de proteção na rua. O uso da máscara é recomendado a quem está com a gripe A e a pessoas que terão contato com o paciente. O vírus não anda circulando na atmosfera. Ele é expelido pela pessoa contaminada durante tosse ou espirro até, no máximo, um metro de distância.

Não ir a velório de vítima infectada

Vítimas de gripe A não transmitem o vírus depois de mortas. Por isso, nesse caso, não precisa deixar de ir ao velório ou ir de máscara. O recomendado, no entanto, é que o caixão esteja fechado para evitar que a pessoa toque no corpo, em alguma parte da pele com secreção contendo o vírus.

Evitar carne de porco

O vírus da gripe A, inicialmente chamado de vírus da gripe suína, não é transmitido pela de carne de porco. O consumo de carne suína não traz nenhum risco.

Tomar o Tamiflu como prevenção

Isso é um mito, dizem as autoridades de saúde. O Tamiflu é para diminuir a multiplicação do vírus, não para prevenir. O medicamento é indicado para pessoas com sintomas da gripe A, mas somente com acompanhamento médico.

Suspender as rodas de chimarrão

Não há necessidade de suspender as rodas de chimarrão. O aconselhado, sim, é deixar de fora quem está com algum sintoma de gripe.

O que é prudente

Abrir as janelas


Em locais fechados, com aglomeração de pessoas, é indicado abrir as janelas para circular melhor o vento e evitar a circulação do vírus.

Lavar as mãos

É indicado lavar as mãos sempre após contato com locais de uso público, como corrimão de ônibus. No entanto, não é preciso fazer isso toda hora. É importante lembrar que a transmissão do vírus é por gotículas expelidas pela tosse ou pelo espirro.

Usar álcool gel

Limpar as mãos com álcool gel antes levar as mãos à boca é uma medida que pode evitar a contaminação.

Andar agasalhado

O corpo resfriado faz baixar a imunidade do pulmão e aumenta as chances de contágio caso você tenha contato com alguém infectado. Por isso, é bom andar agasalhado em dias frios. É importante lembrar que o simples fato de andar com pouca roupa não significa que você terá a gripe A.

Evitar compartilhar copos

Neste momento que o vírus se espalha rápido, evite compartilhar copos e talheres com outras pessoas. Você nunca sabe se ela está ou não com o vírus. Médicos lembram que uma simples lavagem com água e sabão evita contaminação caso você utilize um copo usado anteriormente por alguém com gripe.

Ficar em casa se tiver sintomas de gripe

É a medida mais aconselhada pelos médicos. Em caso de sintomas de gripe, a primeira atitude é procurar um médico e evitar o contato com colegas de trabalho e de aula. Pessoas infectadas devem ficar sete dias em repouso após o aparecimento dos sintomas, ou até passar pelo menos 24 horas sem nenhum sintoma.

Evitar hospitais

Neste momento, é desaconselhado visitar pessoas internadas por qualquer motivo. Caso a visita seja necessária, é indicado higienizar bem as mãos após a visita. O uso de máscara é aconselhando somente para visitas de pacientes com suspeita ou contaminado com a nova gripe.

O que é controverso

Adiamento das aulas

É um dos temas mais controversos. A maioria dos infectologistas defende que o adiamento da volta às aulas vai apenas retardar a propagação do vírus, que seria uma medida política e paliativa. Já os médicos do órgãos públicos de saúde dizem que a medida irá evitar proliferação relâmpago da H1N1.

Usar o Tamiflu em todos pacientes com sintomas

Foi motivo de divergência na área médica na semana passada. Médicos de Passo Fundo, por exemplo, passaram a ministrar o medicamento a todos os pacientes que apresentam alteração pulmonar perceptível, mesmo que ainda não sofram disfunção respiratória grave. A medida foi apoiada por infectologistas da Capital. Outro corrente, no entanto, inclusive a Secretaria Estadual da Saúde, defende que o medicamento só deve ser usado em casos graves.

 

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Paulo Staziaki

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