O riso na pedagogia
Jorge Larrosa, em seu artigo “A ironia do riso”, incita a pensar em uma pedagogia que ri de si mesma, que produza distanciamentos, estranhamentos, para fazer fluir um novo movimento em direção a novas possibilidades. O riso como possibilidade de pensar a formação de professores e reinventar novas trilhas.
Nosso riso anda muito civilizado e pouco mobilizado. Parece que a educação não lida muito bem com o riso, aquele riso que se ocupa do sério, que dialoga com as verdades, que ri de si mesmo quando percebe excessos, equívocos e contradições em sua prática. Larrosa problematiza sobre o riso “talvez meu objetivo principal em falar do riso seja a convicção de que o riso está proibido, ou pelo menos bastante ignorado, no campo pedagógico. E sempre pode ser interessante pensar um pouco por que um campo proíbe ou ignora.”
Dialogando com essa perspectiva, a palestra proferida pela professora Dra Lúcia no III Congresso de Ensino Superior da Rede Sinodal, instiga a pensar sobre o riso na proposta de formação de professores retomando as obras de Aristófanes, dramaturgo grego do século 447 a.C. Crítico sagaz, Aristófanes não hesita em parodiar símbolos da vivência da pólis, seguro que estava de que a caricatura provoca o riso e de que este é o primeiro passo para uma reflexão mais séria e profunda e um meio eficaz de crítica.
Sugere também temperos estéticos do educador. Ter bom humor, saber ser irônico e mordaz quando necessário. Ser generoso e preocupado. Cético em relação ao que sabe, mas com pensamento alado. Capaz de raptar as almas e devolvê-las numa forma mais sofisticada, sem dispensar os esforços do próprio dom. Estuda para ensinar. Ensina para aprender. Produz a arte de ser lembrado.
Pois com afirma Larrosa “E não me venham vocês dizer que o riso pode ser perigoso. O riso é, certamente, ambíguo e perigoso. Como os livros, como as viagens, como os jogos, como o vinho, como o amor. Como tudo que tem valor, o riso pode ser benéfico ou maléfico, divino ou satânico. Mas sua ambigüidade não é diferente da ambigüidade radical de qualquer experiência de formação, pelo menos quando a formação não é concebida de uma forma por demais harmoniosa, por demais construtiva, por demais linear, por demais edificante.”
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A Audiência Pública organizada para discutir o horário limite de trânsito de crianças e adolescentes à noite foi marcada por ampla discussão e participação de lideranças, jovens e comunidade. Um momento propício para debater sobre a complexidade da educação, de rever responsabilidades e possibilidades para esta etapa tão sequiosa de cuidados. Momento de ouvir a juventude, analisar seus anseios e necessidades. Afinal, como tão bem foi referenciado nas explanações, nós adultos é que facilitamos que a drogadição esteja tão presente na sociedade e participamos pela omissão e pelo pouco debate. A juventude não pode ser o bode expiatório é preciso aprofundar o assunto e deixarmos de hipocrisia, pois há os que fornecem e se beneficiam dessa forma de escravidão, muitos com status e respeito social.






