AGRICULTURA: Após protesto em Santa Rosa pauta de agricultores da região será levada à Brasília

14/03/2015 16:08:40 - Agricultura
AGRICULTURA: Após protesto em Santa Rosa pauta de agricultores da região será levada à Brasília

Pautas entregues incluem reivindicações sobre redução do preço do óleo diesel e outros 10 pleitos.

Lideranças sindicais, agricultores familiares, vereadores e prefeitos da região que participaram na terça-feira (10), de um ato público em favor dos produtores de leite do Estado tem seus pleitos conhecidos em Brasília. A atividade que ocorreu em Santa Rosa teve concentração e início na Praça da Independência, onde aproximadamente dois mil agricultores e agricultoras tomaram conta da rua. Após a primeira explanação, uma caminhada cortou o centro da cidade.

Foram feitas paradas estratégicas nas quais foram entregues reivindicações para o gerente da Previdência Social (INSS), para o gerente e para o superintendente do Banco do Brasil e para o gerente da Caixa Econômica Federal. Durante essas paradas, era distribuído leite para os funcionários das instituições e para as pessoas que aguardavam os atendimentos.

A caminhada foi promovida pela Fetag e sua Macrorregional, que é composta pelas Regionais Sindicais Santa Rosa, Ijuí, Missões I, Missões II e Três Passos. Participaram os Sindicatos Rurais e autoridades de mais de 60 municípios.

A atividade foi motivada pela dificuldade na cadeia leiteira no Estado, o objetivo foi de mostrar que o leite do Estado é sim de qualidade e lutar por melhorias para o setor. O movimento terminou no Parcão, onde foram definidas as ações que deverão ser tomadas daqui para frente.

Diante da pauta entregue aos órgãos do governo, agendas foram marcadas em Brasília e deverão ser cumpridas na próxima semana, informa o Coordenador Regional do Grande Santa Rosa dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, Pedrinho Signori. De terça à quinta-feira (17 a 19/03) o sindicalista três-maiense e o Presidente da FETAG/RS estarão na capital federal.

CRISE LEVA PRODUTORES A DESISTIR DA ATIVIDADE

A crise da cadeia produtiva do leite chegou ao fundo do poço. O quadro é preocupante desde que a imagem do leite produzido no Rio Grande do Sul mergulhou na lama por causa dos casos de adulteração descobertos nas Operações Leite Compensado do Ministério Público Estadual.

Um dos efeitos mais preocupantes da crise é o agravamento do histórico êxodo rural. Muitas famílias podem deixar a atividade, vender as propriedades e ir morar nas cidades. O presidente da regional Sindical do Grande Santa Rosa, Pedrinho Sinhori, lembra que somente na região de Três de Maio mais de cem produtores têm valores a receber de empresas que decretaram falência.

Muitas dessas famílias já desistiram de produzir o leite e outras estariam propensas a seguir o mesmo caminho. Além da falta de pagamento, Sinhori denuncia outra razão que pode levar mais produtores a desistir. “Os produtores que vendem menos de 100 litros de leite por dia, também, estão sendo excluídos pelas indústrias. Em Três de Maio e região, no mínimo, cerca de 50% das propriedades produzem menos dessa faixa de corte estabelecida pelos laticínios. Diante de toda essa conjuntura negativa, estamos preocupados porque muitos já abandonaram a atividade e outros tantos podem fazer o mesmo”, alerta o sindicalista.

A baixa remuneração é outra razão que pode levar produtores a desistir. Em janeiro, o preço pago pelo litro atingiu o menor patamar em cinco anos no Estado: R$ 0,73 – 10% a menos em relação a 2014, em valores corrigidos. E o Conseleite projeta R$ 0,74 para fevereiro, cujos dados ainda são processados. O recuo também se refletiu nos supermercados, com o menor preço em cinco anos.

O setor, que já vinha cambaleando em função dos efeitos da Operação Leite Compen$ado, encontrou mais obstáculos, o mais recente deles a greve dos caminhoneiros, obrigando a jogar fora milhares de litros.

LS NOROESTE BAZAR E PAPELARIA