Colono e motorista: personagens que dividem o mesmo dia e merecem ser homenageados

24/07/2015 15:13:53 - Eventos e Promoções

Créditos: Anelize Katiane Espindola

O dia 25 de julho é dedicado para homenagear dois personagens que se assemelham em características particulares. O colono e o motorista são conhecidos por valorizarem suas origens e permanecer na atividade por paixão pelo que fazem.

Tanto um como o outro são fundamentais para o desenvolvimento da economia de um município, de um estado e do país. Um produz e o outro transporta os alimentos que agregam valor a cada região.

Colono

O colono era o trabalhador rural estrangeiro que veio para o Brasil logo após o fim da escravidão, no fim do século XIX e início do século XX, para substituir os escravos nas lavouras, em especial às de café.

Eram trabalhadores livres e chegavam ao Brasil com o sonho de, com seu trabalho, comprar terras no país. Sonho este impensável na Europa de então.

Hoje, no Sul do país, onde a imigração foi mais forte, a palavra ainda é usada para os trabalhadores rurais que tiram da terra seu sustento e para os descendentes dos antigos colonos.

Através do trabalho das suas mãos e do suor do seu rosto, com dedicação ele trabalha a terra, planta e colhe os frutos que alimentam o povo brasileiro. Profissional da terra, artista do trator, da enxada, do arado, da semeadura e da colheita. São os homens e mulheres com mãos calejadas, pele morena pelas jornadas sob um sol forte. São eles que com a enxada ou sem ela, fazem brotar do solo o alimento que dá o sustento a multidões. Essas pessoas possuem um valor inestimável e desenvolvem um dos papéis mais importantes na nossa sociedade e devem ser reconhecidos e valorizados.

Motorista

O Dia do Motorista, por ser a data dedicada a São Cristóvão, santo padroeiro dos motoristas foi oficializado no país em 21 de outubro de 1968.

São Cristóvão é protetor não só dos motoristas, mas também dos viajantes. Ele viveu na Síria e sofreu o martírio no século III. Seu nome, "Cristóvão", significa "aquele que carrega Cristo" ou "portador de Cristo".

O motorista tem uma história igualmente importante para a sociedade. De nada adianta a produção se não há quem a transporta. É o motorista que ajuda a impulsionar o progresso, levando de um lugar para outro produtos, mercadorias, máquinas, peças, enfim, permitindo que as cidades cresçam. 
      São eles que passam a maior parte do tempo, arriscando suas vidas em estradas esburacadas para transportar o progresso. São eles que pagam os pedágios, reduzindo seu ganho. São os artistas das estradas, homens de valor, senhores do volante que merecidamente também comemoram o seu dia.

O que diz o agricultor

Noribaldo Kaddatz, 57 anos morador do Lajeado Cachoeira – Três de Maio

Noribaldo, tem 57 anos e viveu sua vida sempre no interior. O colono relata que apesar das coisas não estarem como esperava a colônia é o seu lugar. “Infelizmente não tá fácil, é tudo muito caro para investir, por exemplo, o preço do adubo está lá em cima, não é fácil não, mas o lado bom é que tu tá tranquilo na colônia, a minha renda é o leite e as coisas que eu planto é para o nosso consumo”.

O agricultor relata que na sua localidade já tem umas cinco casas vazias e teme que outros ainda também irão sair. Kaddatz finaliza dizendo “Meus filhos dizem que quando me aposentar devo ir pra cidade, mas eu não vou, vou criar galinhas, plantar frutas e verduras. Lá é o meu lugar, enquanto eu conseguir é lá que quero ficar”.

Motorista:

Vero Hammes, 58 anos – Três de Maio

Hammes faz o transporte de implementos agrícolas da John Deere, Massey Ferguson, Valtra e também graneis como soja, milho, trigo. Trabalha nesse ramo desde seus 22 anos de idade, então são 36 anos literalmente ‘na estrada’, é uma paixão pela profissão.

Ser caminhoneiro é gostar do ramo, enfrentar muitas vezes um trânsito grande, ver acidentes, roubos, pois não há muita segurança na estrada e isso acaba pesando e fazendo com que muitos parem.

“Os desafios de enfrentar uma estrada são sempre grandes, não só pelo trabalho, mas também pelos altos custos, como por exemplo, o diesel, nossa profissão infelizmente perdeu seus valores e o motivo muitas vezes acaba sendo os colegas de profissão que não se comportam corretamente, mas para nos mantermos trabalhando acreditamos  que o governo volte a baixar o valor do diesel tornando assim mais acessível o nosso maior custo”.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Três de Maio e São José do Inhacorá e Coordenador da Regional Sindical do Grande Santa Rosa:

Pedrinho Signori, 51 anos – Três de Maio

A data comemorativa ao dia do colono e motorista surgiu em função dos primeiros trabalhadores rurais que vieram para o Brasil no final da escravidão, chegaram para substituir os escravos, foi ali que começaram a trabalhar como trabalhadores rurais nas fazendas. No ano de 68 foi criada uma lei pelo Ministério da Agricultura criando o dia do agricultor no dia 28, mas o colono teve sua origem dos que vieram da Europa para trabalhar nas fazendas de cafezais na época.

Pedrinho relata que “Em minha opinião essa é uma das datas mais importantes por que a agricultura familiar é quem alimenta o país e o mundo, na verdade 72% dos alimentos produzidos que chegam na mesa dos brasileiros saem da agricultura familiar. A data é importante e precisa ser celebrada, toda a sociedade tem entendido isso, um bom exemplo é que ano passado foi o ano internacional da Agricultura familiar decretado pela ONU então finalmente a sociedade observa a agricultura familiar como algo muito nobre e muito importante por que é a segurança alimentar para o país e para o mundo”.

Nossa reportagem o perguntou oque ser colono e Pedrinho prontamente respondeu “Ser colono hoje é uma atividade nobre, produzir alimentos, mas é uma atividade muito árdua e sofrida, devido ao modo de trabalho e também dependemos do tempo, eu tenho muito orgulho de dizer que sou agricultor”.

Atualmente graças ao sindicato os agricultores possuem muitos benefícios e ajudas para continuar a realizar esse trabalho, porém infelizmente são poucos os jovens que querem permanecer no campo.

Os motoristas também desempenham um papel muito nobre e de alto risco acrescenta Signori. Hoje em dia a estrada não é fácil, muitos motoristas não sabem o dia que voltam para suas casas e se vão voltar, por que hoje em dia essa profissão pode ser considerada de risco.

“O colono e o Motorista são profissionais unidos, um produz e o outro transporta. Desejo parabéns a esses profissionais e com certeza é um dia de comemorar”.

LS NOROESTE BAZAR E PAPELARIA