Crise dos hospitais que pode suspender até serviços do SAMU na região

04/06/2015 21:05:46 - Saúde
Crise dos hospitais que pode suspender até serviços do SAMU na região

Hospital Vida e Saúde

 

         Com dificuldade de renovação de convênios com a Fundação de Saúde FUMSSAR, defasagem dos valores enfrentando um verdadeiro calote do Governo do Estado que suspendeu repasses de incentivo para manutenção dos serviços, o Hospital Vida e Saúde de Santa Rosa pode suspender o gerenciamento do SAMU Salvar aos municípios que possuem suas unidades móveis (ambulâncias) por ele conveniadas.

Isto atingiria os serviços de Três de Maio, Horizontina, Santa Rosa e Giruá, já a partir de 20 de junho. O hospital de referência regional reuniu seu conselho para elaboração de um conjunto de medidas para minimizar este e outros prejuízos que enfrenta. Entre as medidas amargas que poderão ser adotadas estão ainda à paralisação nas obras de ampliação do próprio hospital, demissão de 120 trabalhadores e suspensão de serviços atualmente prestados a população. Em Nota Oficial nesta quinta feira o Vida&Saúde deu detalhes sobre a crise. 

NOTA OFICIAL

         O Hospital Vida & Saúde, em face das recentes notícias acerca de possível redução na oferta de serviços e atendimentos via Sistema Único de Saúde vem a público prestar esclarecimentos.

 

O contrato de prestação serviços firmado com a Fundação Municipal de Saúde, que estabelecia um repasse mensal no valor de R$ 1.032.447,05, venceu em 31 de maio de 2015. Além desse valor, os serviços prestados pela Instituição, em 2014, geraram um saldo de R$ 1.123.234,61, pelos serviços realizados (extra teto), uma vez que a demanda, inclusive  autorizada pela FUMSSAR, excedeu o limite contratado, sendo que  esse valor também não foi pago. Já nos primeiros quatro meses de 2015 esse extra teto alcançou o valor de R$ 616.803,93, o que também não foi pago e demonstra claramente que o contratado fica muito aquém da realidade e da necessidade.

 

Além de não receber pelos serviços prestados, o contrato está sem reajuste há dois anos,  tendo o último ocorrido há 24 meses. É importante observar que ocorreram alguns fatos que impactaram diretamente nas finanças do Hospital, dentre os quais o reajuste da tarifa de energia elétrica, superior a 35%, os materiais e medicamentos na ordem de 20% e o dissídio salarial em um acumulado de 16,34%. A tudo isso há que acrescentar a inflação do período que alcançou 15,32%, ou seja, tudo que envolve o funcionamento do hospital foi reajustado, menos os serviços prestados, gerando o desequilíbrio financeiro a ponto de comprometer a manutenção das atividades.

 

Contribuiu, também, para o agravamento da situação financeira do Hospital, a suspensão do repasse dos recursos referentes aos incentivos, tantos os do Município quanto do Estado, os quais foram pagos até o início de 2014: R$ 200.000,00/mês que era destinado ao pagamento do sobreaviso médico para especialidades, por parte do Município e R$ 198.737,57/mês, pelo Estado, a título de incentivo aos Hospitais (IHOSP). Assim, em razão dessa falta de reajuste e de qualquer incentivo por parte do Município e do Estado, as constas do hospital passaram a apresentar déficit: R$ 167.061,51 no mês de fevereiro R$ 235.141,07 em março e R$ 274.298,79 em abril.

 

Essa difícil situação se agrava ainda mais com a falta de repasses no setor de Oncologia. O Governo Federal, repassa mensalmente R$ 77.202,60, como complemento do serviço de Oncologia, através da resolução CIB Nº 429/14. Desde agosto de 2014, a Fundação tem recebido mensalmente esse recurso e não tem repassado ao hospital. Desde dezembro, o Hospital Vida & Saúde também vem realizando atendimento oncológico, aos pacientes da região das Missões, através da resolução CIB 761/14. O recurso destinado por esta portaria é de R$ 195.960,00, porém a Instituição não tem recebido da Fundação o repasse total desse valor.

 

Por sua vez a FUMSSAR, propôs a renovação do contrato de serviço do hospital sem reajustes e inclusive cogitando o corte de serviços. Por isso, o Conselho de Administração e a Direção tiveram que, infelizmente, realizar um Plano de Contingência, prevendo a suspensão do atendimento de algumas especialidades de sobreaviso, tais como: cardiologia, vascular, urologia, pneumologia, bucomaxilofacial e clínico geral. Outra ação a ser implementada é a redução na oferta de serviços eletivos, ou seja, atendimentos que não são de urgência e emergência e que estavam pré-agendados, inclusive exames, cirurgias e consultas.

 

Até o presente momento, o Vida & Saúde fez o que pode para manter os serviços em dia, pois entende a relevância de seus atendimentos para a região. Se não houver negociação com o município e a Fundação de Saúde, outras atitudes mais drásticas também terão que ser realizadas como o fechamento da Unidade Pediátrica, que hoje atua com 23 leitos. Ocorrendo essa redução dos serviços, consequentemente terá que ser realizada uma redução no quadro de funcionários, estimada em 120 profissionais.  Também deverá haver uma redução de 240 atendimentos de quimioterapia/ano e fechamento do segundo turno da Oncologia.

 

Quanto ao SAMU, o hospital está no aguardo da aceitação da proposta apresentada para a FUMSSAR, o que deverá ocorrer até o dia 21 de junho, sendo que após essa data está prevista a interrupção do serviço.

 

Por fim o Hospital Vida & Saúde reitera que desde o início do ano, em diversas reuniões, buscou um acerto com o Município e a Fundação, não obtendo resultados, inclusive usando de todas as suas reservas para manter o serviço em pleno funcionamento, o que contudo se tornou inviável sem a contrapartida da Fundação Municipal de Saúde e do Município. Diante desse quadro o Hospital pede que a comunidade compreenda que os cortes de serviços não são de vontade do hospital, e confia no provimento dos representantes do Poder Público, no sentido de que a situação seja imediatamente revertida, sem qualquer reflexo à população.

 

Assunto: Saúde

LS NOROESTE BAZAR E PAPELARIA