ESPECIAL CRISE DOS HOSPITAIS: São Vicente de Paulo prepara medidas amargas para enfrentar crise

12/04/2015 09:55:36 - Saúde
ESPECIAL CRISE DOS HOSPITAIS: São Vicente de Paulo prepara medidas amargas para enfrentar crise

Foto: Anelize Katiane

Anelize Katiane Espindola

Alexandre de Souza

Paulo Roberto Staziaki

O corte da subvenção social que era concedida pela Prefeitura de Três de Maio, os atrasos dos repasses pelo Governo do Estado e um Pronto Socorro com custo mensal elevadíssimo, são os fatores que fizeram o Hospital São Vicente de Paulo mergulhar nos últimos meses em uma grave crise, que pode levar ao colapso vários serviços, caso medidas não sejam aprovadas com urgência no âmbito intergovernamental (municípios, estado e união).   

Na última reunião realizada no dia 31 de março com os gestores municipais que compõem a micro região onde está sediada a referida casa de saúde, ou seja; Independência, Alegria, São José do Inhacorá e Boa Vista do Buricá, não se chegou a nenhuma solução, apenas foi citado que os mesmos também deveriam contribuir para que os serviços de Urgência e Emergência permanecessem sendo executados como sempre foram.

A atual situação do hospital é muito crítica, pois ele possui muitos recursos que se referem a serviços prestados e conveniados não pagos pelo Estado, por exemplo, dos anos de 2013 e 2014. Para que o mesmo continue desempenhando seus serviços junto à comunidade uma série de ajustes está sendo executada, e entre as medidas o encerramento de atendimentos como o serviço de Cirurgia Bucomaxilofacial, além de consultas que não são mais agendadas para as áreas de Traumatologia e Obstétrica, que conforme apontou o Coordenador Regional de Saúde, a instituição não precisa realizar atendimento quando não há pagamento, então os serviços deficitários poderão e deverão ser suspensos, porém é uma situação ainda em avaliação.

Suspensão de repasses pela prefeitura inviabiliza Plantão

A Urgência e Emergência é um serviço que recebia o incentivo do Governo Municipal de Três de Maio no valor de aproximadamente R$ 54.000,00 por mês. Segundo o Diretor Administrativo do HSVP Samuel Meotti o déficit já chega aproximadamente R$ 100 mil, e se continuar suspenso chegará ao final do corrente ano a R$ 1,2 milhão.

O hospital realizava cerca de 2.700 atendimentos em seu plantão de urgência por mês, porém com a crise, foram reduzidos a 1.800 e se a mesma continuar se agravando terá nova diminuição. Meotti salienta que pelo Estado o hospital é contratado para realizar apenas 900 consultas mensais na Urgência e Emergência, por que existem regras e estatísticas que apontam que, para certo número de habitantes há um valor x de atendimentos para ser realizado, porém a população nem sempre consegue atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, e acaba recorrendo então ao auxílio no São Vicente de Paulo.

Em uma escala de 0 a 100, 76% dos atendimentos são de Três de Maio e o restante dos outros municípios. O Hospital tentou entrar em contato com a Prefeitura Municipal, mas por enquanto nenhuma medida foi tomada. Samuel relata que poderá acontecer de o hospital ficar sem o serviço de emergência. A direção já está vendo as questões legais para adequar-se aos prazos e poderá rever a prestação dos serviços. “A partir daí quem sabe, esse problema será visto com outros olhos, como já deveria ter sido há muito tempo, pois não está sendo dada a importância devida à gravidade da questão” desabafa.

O Hospital não vai parar como um todo pondera o gestor, mas os serviços deficitários poderão parar, e infelizmente não demorará muito para isso acontecer e quem sentirá o gosto amargo dessa perda será a população.

SAIBA MAIS

No Pronto Socorro, somente são atendidos os casos classificados como amarelo e vermelho. Os pacientes classificados como verde e azul estão sendo orientados a procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou o atendimento em consultórios médicos. Em 2014, o HSVP registrou um déficit de R$ 150 mil mensais no serviço de Urgência/Emergência. Sem a destinação dos recursos municipal e estadual, a previsão para 2015 é que este prejuízo aumente para R$ 184 mil mensais.

“Para sair da crise financeira que se encontra o Hospital São Vicente de Paulo pode adotar um remédio com gosto amargo e que vai ser sentido por toda a população”.

As especialidades médicas da casa de saúde filantrópica vão ser avaliadas e aquelas que estiverem dando prejuízo financeiro poderão ser fechadas. Atualmente, o hospital é referência regional nas áreas de Bucomaxilofacial, Traumatologia, Otorrinolaringologia e Oftalmologia. Para evitar a interrupção dos serviços o estabelecimento pode tentar ampliar a área de cobertura das especialidades oferecidas para outras regiões com o objetivo de aumentar o número de atendimentos.

Uma reunião para tratar dessa questão inicialmente estava marcada para a última quarta-feira (8), mas foi transferida para a semana que vem porque a equipe da coordenadoria foi convocada para um encontro de trabalho com o secretário estadual da Saúde, João Gabbardo dos Reis, para definir estratégias de combate à dengue em Santo Ângelo. 

Segundo o titular da Coordenadoria Regional de Saúde Jorge Leandro Krechowiecki, o objetivo é fazer um verdadeiro “raio-X” do custo que o São Vicente está tendo para manter esses serviços especializados e a demanda existente: “Temos que fazer um levantamento do custo que o hospital está tendo para manter essas especialidades. Não queremos dificultar o atendimento da nossa população, mas, também, o hospital não pode acumular um déficit significativo para manter um serviço que não dá retorno”, argumenta.

O Hospital São Vicente de Paulo já teve de recorrer a empréstimos bancários para pagar a folha salarial dos colaboradores, honorários de médicos e fornecedores. Somente do governo estadual, a casa de saúde, mantida pela Rede Verzeri, tem R$ 2,8 milhões a receber.

SICREDI COOPERAÇÃO PREMIADA