Ex-Prefeito Copatti avaliou atual conjuntura no PT e a crise na saúde em Três de Maio

15/07/2015 12:58:56 - Geral
Ex-Prefeito Copatti avaliou atual conjuntura no PT e a crise na saúde em Três de Maio

Foto: Paulo R Staziaki- Jornal Folha Cidade

 

         O ex-prefeito de Três de Maio, médico e atual presidente do Partido dos Trabalhadores, Altair Francisco Copatti recebeu a reportagem FC nesta semana. Ele analisou a atual conjuntura para os petistas em nível nacional e local e questionado pela nossa equipe, falou sobre a crise financeira e política que coloca em risco a continuidade dos atendimentos de urgência e emergência junto ao Hospital São Vicente de Paulo a partir do dia 20 de agosto próximo.

Conjuntura nacional

         Em nível nacional Dr. Altair considera o PT em situação preocupante, com relação ao futuro. Todo o partido, sua militância, filiados, vereadores, prefeitos, deputados, estão sendo crucificados por culpa de alguns de seus membros, e isso não é justo. “É como ser sócio de um clube, um dos sócios pratica um ato de corrupção ou outro crime, por exemplo, e todos os sócios são culpados? questiona. Eu sou petista, tenho orgulho de ser petista e não sou corrupto e assim 99,9 de nossas lideranças são. Os que cometeram ilicitudes precisam ser investigados, julgados, sentenciados a devolver o que pegaram, mas criminalizar o PT, não, não vamos aceitar, há um golpe midiático que quer induzir a isso. Nas redes sociais há um preconceito, um radicalismo, uma verdadeira homofobia contra autoridades e instituições  e isso precisa ser combatido. Qualquer moleque xinga a presidente da República, o governador, o prefeito da cidade. Eu posso ser adversário político do atual prefeito, mas hoje ele é o representante legítimo, nossa maior autoridade. Os petistas estão com medo de dizer que são petistas. Precisamos voltar as nossas origens, nos aproximar do povo, dos trabalhadores para superar nossa atual fragilidade. Vamos voltar a ganhar eleições quando estivermos ao lado do povo que sempre acreditou no PT e mudou de vida graças ao PT. Isso está esquecido em meio a um golpe de setores da mídia e da oposição, que estampam o ódio e a intolerância, fazendo as pessoas ser agredidas ao se posicionarem em defesa de nosso projeto. Vejo tantos e tantos que alcançaram a classe média, tem computador em casa, celular em redes sociais graças aos programas de distribuição de renda, de democratização do acesso as universidades, de apoio à agricultura, a pequena empresa e a moradia, xingando o partido, o Lula e a Dilma nas redes sociais, fazendo coro a quem nunca gostou dos mais pobres e dos trabalhadores. Acham que já podem ser contra a quem os ajudou, por que a moda é ser contra o PT. Isso é ingratidão.

Criminalização do PT

Os delitos são vários, e foram cometidos por vários partidos, exemplo, as doações de campanha. Quando é para o PT é crime, para os outros partidos é legal. Da mesma empresa que doou recursos à campanha da Presidente Dilma, vieram recursos para o candidato adversário, mas há uma investigação seletiva, e um vazamento premiado das delações, especialmente para quatro ou cinco grandes órgãos de imprensa, e que nunca esconderam suas posições antagônicas com relação ao PT e aos petistas. Se for para investigar, que se investigue e se responsabilize todo mundo, pois o delito é o mesmo. O PP tem bastante gente supostamente envolvida, alguns muito próximos de nós e o PSDB, são tantas coisas para serem investigadas. Os interesses em derrubar o PT são vários: Há uma oposição que não se conforma em ter perdido três vezes e que teme a volta de Lula em 2018. São todos contra o PT. Em qualquer outro país vazamento de informações e delações investigativas são proibidas. Quando conclusas e provadas, quem tem que ser preso é preso e ponto. Responda, pague pelo crime cometido.

Eleições 2016

         O presidente do PT afirma que tudo o que se diz sobre alianças ou nomes de pré-candidatos é mera especulação. O partido dialoga internamente e o que está claro é que vamos participar das próximas eleições. O PT governou por dois mandatos, nossa análise é que fizemos bons governos, o município avançou com muitas conquistas sociais e não precisamos de nada nos envergonhar. Vamos sim ser protagonistas das eleições do ano que vem, diz Altair. Não discutimos nomes, coligações, nada disso, estamos no inicio de um grande e proveitoso debate. Vamos à busca de aliados que juntem a nós seus programas para apresentarmos um grande projeto aos três-maienses.

A crise na saúde no município

A saúde de Três de Maio teve um salto espetacular quando fomos governo. Nosso entendimento é que saúde tem de ser prioridade sempre. Chegamos a estar em 1º lugar em saúde no RS. Assumimos a saúde do município e a organizamos. Inserimos todos os cidadãos três-maienses em programas de saúde da família, saúde bucal e outros, e a partir daí esperávamos que fosse tudo cada vez melhor. Mas entendemos que só a saúde básica que o município faz não é suficiente, e o gestor tem de entender que o paciente precisa ter seu atendimento de internação, de média e alta complexidade, que embora não sejam de responsabilidade do município precisam ser de alguma forma, garantidos, viabilizados. E o atendimento de urgência é responsabilidade municipal, tanto é que em algum momento o município teve por conta própria uma unidade de atendimento 24 horas, só que ela não era resolutiva sob o ponto de vista de fazer o atendimento de pessoas acidentadas no trânsito, enfartados ou necessitando raio x e UTI, pois era longe do hospital.

Não tem lógica voltar a fazer isso diz ex-mandatário

Quando fomos prefeito, negociamos com o hospital, pois urgência e emergência tem que funcionar dentro do hospital, e o município tem que subsidiar o serviço. É um erro muito grave é a atual gestão fazer de conta que a urgência e emergência não são com ela. Precisa estar de bem sempre com o hospital, mesmo que não goste de A ou B que trabalhe lá, acentua Copatti. É mais eficiente e menos oneroso manter o plantão 24 horas dentro do hospital, pois somos um pequeno município e não temos UPA. Outro erro grave segundo Copatti é o município não ter feito previsão orçamentária para subsidiar o serviço de emergência em 2015, isso precisa ser revisto. O médico, no entanto, deixa claro, que este é um problema administrativo e compete à prefeitura e direção do hospital. “Minhas afirmações são como cidadão e por já ter participado dessas ações quando a mim coube decidir”. Copatti afirma ainda que é preciso buscar um entendimento, e este pode ser intergovernamental, União, Estado e Município, já que o hospital mesmo sendo filantrópico não pode indefinidamente trabalhar tendo prejuízo. O financiamento deve ser compartilhado, mas o município não pode se eximir de sua responsabilidade, pois a urgência e a emergência são a porta de entrada para outros serviços na cidade e a viabilidade e vitalidade de um bom hospital. Vamos levar os quatro ou cinco acidentados do trânsito diariamente para onde? A UPA mais próxima é Santa Rosa. Se a urgência e a emergência fecharem, fecharão outros serviços, encerra Altair.

 

 

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