Hospital de Horizontina pode suspender atendimentos pelo SUS

06/08/2014 00:16:55 - Saúde
Hospital de Horizontina pode suspender atendimentos pelo SUS

Para Izolan hospital suportará atual déficit no máximo até o final do ano

Com repasses de verbas suspensos pelo Estado o Hospital Oswaldo Cruz de Horizontina poderá suspender nos próximos meses os atendimentos pelo SUS que representam 60% dos procedimentos realizados. A sociedade hospitalar é composta por cinco médicos que havia 30 anos eram funcionários e adquiriram o hospital quando ele estava prestes a fechar. Nas mais de três décadas decorridas dos anos 80 até agora, a casa de saúde prestou relevantes serviços à comunidade regional, ou seja, Horizontina, Doutor Maurício Cardoso, Tucunduva e Novo Machado.

Em abril do corrente ano a instituição passou amargar o não recebimento de verbas do incentivo ao cofinanciamento hospitalar por não ser filantrópica e sim hospital privado. Com a tabela do SUS defasada, os hospitais recebiam um plus (incentivo) criado pelo governo diante da média de atendimentos produzidos e contrapartidas em cirurgias eletivas, partos e cesarianas, o que ajudava a equilibrar as contas da defasagem da tabela. Pelo mesmo motivo (não ser filantrópico) o hospital deixou de receber os recursos para manutenção junto ao estabelecimento da unidade do SAMU, repasse fixado em R$ 41 mil mensais. Desde maio último, os valores não são mais repassados ao HOC.

O médico Milton Izolan, diretor do Hospital Oswaldo Cruz,  reuniu a imprensa no início desta noite (5) e fazendo as contas mostrou que no ano de 2013 foram R$ 337 mil recebidos pelo chamado incentivo e quase R$ 500 mil pela manutenção do SAMU. Somado o prejuízo ultrapassará R$ 800 mil até o final de 2014, o que faz a casa de saúde antecipar-se antes de enfrentar problemas de passivos trabalhistas ou acumular dívidas com fornecedores, destaca.

Outro fator que gera déficit é o plantão médico de urgência 24 horas mantido em contrato com o município. A prefeitura remunera o serviço com R$ 45 mil mensais, mas o custo operacional é de R$ 65 mil, haja vista a grande quantidade de atendimentos que não são de urgência e emergência, que poderiam ser solucionados nas unidades de saúde, mas que pela comodidade de não precisar agendar ou mesmo diante da falta de médicos em tais unidades acaba sendo descarregada ao hospital.

Destaca Izolan que atualmente são 70 funcionários e 12 médicos que trabalham na instituição. O gestor admitiu a intenção (mesmo contra vontade sentimental dos sócios) de vender para o município ou para uma sociedade comunitária ou filantrópica a atual estrutura hospitalar existente. Esse interesse foi manifestado aos gestores municipais, pois outras incursões já foram realizadas desde a administração anterior justificando, segundo Izolan,  que a viabilidade ou continuidade do único hospital da cidade corria sério risco.  

A administração pública ou filantrópica, surge como uma saída para viabilizar o ingresso de recursos públicos diretos no aparelhamento da casa de saúde no tocante a equipamentos. Izolan enumera dois fatores que dificultam a atração de novos médicos para a cidade; a condição logística e o fato de não possuir serviços como de tomografia e ressonância. –“Nós estamos ficando velhos, embora eu, cirurgião, esteja no auge de minha produtividade cirúrgica, com a firmeza da maturidade, me encontro com 63 anos e logo ali na frente terei que parar, fizemos as mais diversas tentativas de atrair mais profissionais e diversificarmos as especialidades de atendimentos, mas não conseguimos”, lamentou.

Milton Izolan revelou que a alta carga tributária também impacta sobre as contas do hospital. Mensalmente são quase R$ 70 mil em impostos como FGTS, ICMS, ISSQN, INSS, PIS, COFINS e Contribuição Social. O médico cita mais números; Em 2013 os recursos públicos repassados pelo Estado e Município para cobrir os atendimentos ao Sistema Único de Saúde foram de R$ 2.194.000,00. A instituição devolveu em impostos pagos ao governo no entanto 40% do montante,  R$ 879.252.00.

Atualmente o Plano de Saúde Hoc Med um produto próprio do hospital,  os pacotes para atendimentos particulares e a prestação de serviços a outros planos de saúde e prefeituras,  são as únicas fontes rentáveis a empresa Oswaldo Cruz. No entanto as receitas não darão conta do déficit acumulado. O médico diante dos veículos de comunicação  fez um apelo emocionado -“Estou pedindo a vocês que transmitam à comunidade que nós, do hospital, estamos precisando de ajuda para manter o atendimento ao SUS, pois o paciente que mais precisa,  que é o mais importante e que eu mais respeito é o paciente SUS, não estamos escondendo nada, essa é a real situação”. 

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