Margaridas vão à luta: Marcha das Margaridas reuniu trabalhadoras da região

28/08/2015 11:27:26 - Geral

Fotos: Arquivo Pessoal

A maior mobilização de mulheres da América Latina chegou à sua quinta edição. Com o tema “Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade”, a marcha organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), teve como objetivo apresentar uma pauta de reivindicações que atenda às necessidades das mulheres que vivem e trabalham no campo.

São trabalhadoras rurais, extrativistas, indígenas e quilombolas que tomaram as ruas da capital federal para dialogar com o governo federal sobre suas reivindicações.

A marcha contou com a participação de 27 federações e 11 entidades parceiras. Entre os pontos principais da pauta, estavam o fim da violência contra a mulher e o combate ao uso de agrotóxicos.

            O município de Nova Candelária esteve representado na V Marcha das Margaridas por duas mulheres que trabalham no campo em busca do sustento familiar e pelo prazer da atividade que exercem. À convite do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Dirce Kloeckner e Neiva Kist encararam 39 horas de viagem, juntamente com outras trabalhadoras rurais da região do grande Santa Rosa, para participar da manifestação, na capital do País. E elas garantem que valeu a pena.

            Antes mesmo de partirem à Brasília, as duas trabalhadoras rurais participaram de duas reuniões na cidade de Santa Rosa. Estes encontros tinham por finalidade debater as pautas que seriam discutidas na Marcha, por meio de avaliações e discussões relacionadas às demandas regionais e estaduais.

Nos dias 11 e 12 de agosto Dirce e Neiva puderam acompanhar as atividades que fizeram parte da Marcha. A abertura do evento, que aconteceu no Estádio Mané Garrincha, contou com a presença de Secretários, representantes das federações, a Coordenadora Estadual de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Fetag-RS, Inque Schneider, e o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Após as atividades no Estádio, as trabalhadoras participaram da Marcha que seguiu até o Congresso. Neiva comenta: “caminhamos em torno de 3km até o Congresso, com cartazes e milhares de pessoas. Chegando lá, as trabalhadoras rurais realizaram o abraço coletivo ao redor do Congresso”.

O pronunciamento da Presidente Dilma também foi acompanhado pelas moradoras de Nova Candelária. Dilma apresentou o compromisso do governo federal com as reivindicações listadas na pauta do movimento. A Presidente falou sobre assuntos que Dirce e Neiva queriam ouvir: “Ela falou sobre as mudanças para aquisição de terra de partilha/herança. Hoje se eu quiser adquirir uma terra de um irmão, que foi herdada dos meus pais, não posso, pois não é permitido. Pelo pronunciamento dela essa regra vai mudar”, comenta Dirce.

Neiva trabalha na roça desde criança. Ainda jovem, com apenas 34 anos, sorri enquanto fala da experiência de participar do evento. “Um dos maiores motivos pelo qual participei foi para protestar no sentido de ter direito a um pedaço de terra, moradia digna e auxílio no crédito fundiário. Eu quero poder comprar um pedaço de terra pelo crédito fundiário, meu objetivo é vender um pedaço de terra e comprar outro”. Acrescenta ainda – “Daqui há quatro anos pretendo participar novamente”.

Cada região levantava diferentes pautas durante a marcha: “as nossas pautas diferem das pautas do nordeste que aborda mais a violência contra a mulher, enquanto nós lutamos por agricultura familiar, acesso à terra, e outros assuntos”, comenta Neiva.

Na luta pela aquisição de terras pelo crédito fundiário, elas acompanharam ainda um protesto no Ministério da Fazenda, fundamentado no crédito fundiário. As visitas também se estenderam ao gabinete do Deputado Federal Elvino Bohn Gass, que participou assiduamente do evento e sempre lutou em defesa das mulheres, principalmente do campo; e ao gabinete do Deputado Federal Heitor Schuch, defensor da agricultura familiar e do desenvolvimento sustentável.

“Eu acho que também é muito importante destacar o companheirismo que tivemos durante a viagem. Essas pessoas formaram a nossa família de mulheres trabalhadoras rurais. Essa foi uma grande experiência, inesquecível”, conclui Neiva.

Dirce ainda acrescenta: “sempre acompanhei o evento pela TV, mas nunca pensei que um dia participaria”.

As despesas da viagem foram custeadas com recursos da Associação Regional dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais do Grande Santa Rosa e Fetag-RS. As trabalhadoras rurais Dirce e Neiva também ajudaram a pagar parte dos custos com a venda de rifas.

A Marcha das Margaridas leva este nome em homenagem à trabalhadora rural e líder sindical paraibana Margarida Maria Alves, assassinada em 1983 por conta de sua militância em favor dos direitos humanos e da classe trabalhadora. Além de 2015, as Margaridas já marcharam em 2000, 2003, 2007 e 2011.

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