Plantação de trigo deve recuar 20% no Rio Grande do Sul

15/05/2015 11:15:37 - Agricultura
Plantação de trigo deve recuar 20% no Rio Grande do Sul

Foto: Divulgação

Com o fim da safra de verão a atenção dos agricultores volta-se para as culturas de inverno, principalmente para o trigo. Porém, em razão da alta nos custos de produção, muitos produtores não irão apostar no cereal na Safra 2015/2016.

A Emater e a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro) estimam queda de 20% na área destinada ao cereal no Rio Grande do Sul. Já a Conab prevê recuo de 10% na área cultivada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê recuo de 10% no Estado. O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor nacional de trigo – por vezes, intercalando o primeiro lugar no ranking com o Paraná.

Em Três de Maio a projeção da Emater para a Safra 2015/2016, igualmente, não é nada animadora. Um levantamento realizado junto a agricultores e empresas que vendem insumos no município estima-se que a redução na área de trigo na Safra 2015/2016 será de 20%, em comparação com a safra anterior. No ano passado foram plantados 10 mil hectares no município.

De acordo com o chefe do escritório local da empresa de assistência técnica rural, Leonardo Rustick, a margem de lucro previsto é muito apertada: “São dois mil hectares que não serão cultivados nesta safra. O produtor está desanimado porque o valor que ele vai investir em insumos representa de 40 e 44 sacas por hectare. Já a estimativa é de que sejam colhidos, em média, 45 sacas por hectare, ou seja, mal dá para cobrir os custos de produção. Sem contar que historicamente é uma cultura de grande risco climático”, opina.

Conforme o chefe do escritório local, Leonardo Rustick, o custo de produção maior deve-se à alta do dólar, já que o valor dos principais insumos acompanha a cotação da moeda americana. Para cobrir o gasto maior, o setor reivindicava reajuste de 19% no preço mínimo a partir de 1º de julho, elevando a R$ 665 a tonelada. Mas a reivindicação não foi atendida pelo governo.

Além disso, a redução na área cultivada se deve, também, a frustração da safra passada. Em 2014, a produção de trigo teve queda superior a 50% no Estado e boa parte do que sobrou sequer teve qualidade para moagem. De 1,5 milhão de tonelada colhida em 2014, quase 1 milhão teve de ser exportada para países africanos e asiáticos. Com nível de micotoxina acima do permitido pela lei, o cereal não pôde ser destinado nem para ração animal no mercado interno.

Se considerarmos o comportamento do trigo em termos de rendimentos obtidos nos últimos anos, a produtividade média deve ficar em torno de 2,4 mil kg/ha, o que leva a Emater a projetar produção total de 2,280 milhões de toneladas para o RS caso as condições meteorológicas sejam favoráveis. Esta produção seria 36,52% maior que a do ano passado, quando foi colhido 1,670 milhão de toneladas de péssima qualidade, justamente pelo clima desfavorável durante a fase reprodutiva e de formação de grão. 

No entanto, esta é uma primeira aproximação, que ainda deve ser confirmada a partir da próxima quinzena, quando a Emater inicia o acompanhamento quinzenal sobre as condições das lavouras, que segue até dezembro, mês de encerramento da colheita.

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