TRÊS DE MAIO: Hospital São Vicente tem R$ 2,8 milhões para receber do Estado

06/03/2015 23:34:22 - Saúde
TRÊS DE MAIO: Hospital São Vicente tem R$ 2,8 milhões para receber do Estado

Foto: FC Arquivos

Por Alexandre de Souza

O Hospital São Vicente de Paulo de Três de Maio, referência macrorregional na área de oftalmologia, para 46 municípios, enfrenta dificuldades financeiras neste início de 2015. O hospital já teve de recorrer a empréstimos bancários para pagar a folha salarial dos colaboradores, honorários de médicos e fornecedores. Somente do governo estadual, a casa de saúde, mantida pela Rede Verzeri, tem R$ 2,8 milhões a receber.

Nesta semana, o HSVP decidiu reduzir os atendimentos SUS no Pronto Socorro, limitando-se a atender somente os casos de urgência/emergência. A medida foi tomada para reduzir custos com serviços prestados pelo hospital, porém que não são contratados. Esta medida se dá em razão do não repasse de recursos, tanto de ordem estadual como municipal.

Somente serão atendidos os casos classificados como amarelo e vermelho. Os pacientes classificados como verde e azul estão sendo orientados a procurar as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou o atendimento em consultórios médicos. A redução do atendimento se deve pelo alto grau de endividamento que o hospital se encontra. Em 2014, o HSVP de Três de Maio registrou um déficit de R$ 150 mil mensais no serviço de Urgência/Emergência. Sem a destinação dos recursos municipal e estadual, a previsão para 2015 é que este prejuízo aumente para R$ 184 mil mensais.

Essa não é uma situação exclusiva do hospital de Três de Maio. Segundo o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do RS, Júlio Dornelles de Matos, o Estado precisa repassar R$ 132 milhões aos filantrópicos por assistência prestada em outubro e novembro do ano passado. Há ainda R$ 25 milhões relativos a serviços de janeiro deste ano, de cofinanciamento à saúde, especialmente em atendimentos de média complexidade, que também precisam ser pagos aos filantrópicos pelo governo.

O dirigente, que se reuniu algumas vezes com o secretário da saúde, João Gabbardo, para negociar repasses, informou durante a assembleia do setor realizada no dia 28 de fevereiro, que a Saúde precisaria de R$ 103 milhões do governo para cumprir pagamentos, e há apenas R$ 70 milhões disponíveis do caixa.

Na assembleia que reuniu 150 dirigentes de hospitais, quase todos do interior do Estado, na sede da Federação, em Porto Alegre, gestores pediram que o governo do RS estabelecesse um cronograma de pagamentos, com datas e valores previamente estipulados. Pediram também que a secretaria estadual cumpra com o previsto de investir 12% do orçamento na saúde.

Para complicar o quadro, o Hospital São Vicente de Paulo não estaria mais recebendo a subvenção social que era concedida pela prefeitura de Três de Maio. Nossa reportagem entrou em contato com a direção do estabelecimento, mas não houve a confirmação do corte. Segundo informações extraoficiais a prefeitura teria deixado de repassar ao hospital cerca de R$ 45 mil mensais. Parte desse valor era utilizada para pagar os salários dos médicos plantonistas da Unidade de Emergência do São Vicente.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Conforme a secretária da Saúde de Três de Maio, Jacira Taborda, a subvenção social realmente não está mais sendo concedida ao São Vicente, mas a administração municipal continua sendo parceira e apoiando o hospital. Ela adiantou que nos próximos dias vai se reunir com secretários dos outros municípios da região atendidos pelo estabelecimento para tentar definir um valor mensal a ser repassado ao hospital para custear os atendimentos de emergência pelo SUS da microrregião: "Continuamos ajudando o nosso hospital e vamos tentar definir com os demais secretários um valor mensal que cada prefeitura da microrregião vai repassar. Hoje, apenas Três de Maio e Independência estão fazendo repasses de recursos ao São Vicente", explicou.

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