Um gesto que comoveu todo o RS

06/09/2015 23:26:22 - Geral
Um gesto que comoveu todo o RS

Foto: arquivo especial autorizado por Renan Perinazzo: Família com esposo e pai José Abílio, os filhos Renan e Victor e a esposa e mãe Salete.

 

Às 15h 20min, de domingo 30 de agosto, um ato de grandiosidade e solidariedade da família Kleinpaul Perinazzo de Horizontina começava a ganhar repercussão em toda a região e no Estado do Rio Grande do Sul. Após a constatação da morte cerebral de Salete Angelina Kleinpaul Perinazzo, de 50 anos, a família optou por doar os órgãos. Ela foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral - AVC, e na noite do sábado (29), foi confirmada a morte cerebral depois de angeotomografia cerebral e eco Doppler transcraniana.

A partir desse momento a equipe da CIHDOTT – Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes, do Hospital Vida & Saúde, realizou todo o protocolo de contato com a família e de demais exames. Salete vivia seus dias para fazer o bem, com dedicação total aos filhos Renan e Victor e ao esposo José Abílio. Sua participação destacada na igreja igualmente sempre foi reconhecida por todos.

“Conforta-nos saber que podemos salvar três vidas, mesmo que estejamos sofrendo com a dor da ausência de nossa mãe”, diz Renan Perinazzo, filho mais velho de Salete e José. Salete também deixou um filho pré-adolescente, Victor, com 12 anos.

Renan destaca que os Kleinpaul e Perinazzo pensavam que as doações de órgãos eram mais “normais”, porém souberam com a equipe do CIHDOTT que poucas pessoas autorizam a doação. “Olha, não digo que foi fácil, pois todos têm certo receio, porém quando nos falaram que havia a forte suspeita de morte cerebral, logo nos veio à ideia e comentamos entre nós, eu, meu pai e minha tia, que é enfermeira aposentada. Então ligamos para todos os irmãos da mãe, pedindo a opinião e todos logo concordaram, a partir dai tomamos a decisão de seguir em frente, hoje vemos que foi o melhor e conseguimos ficar consolados, pois salvamos 3 vidas, muito da vida dela foi se doando, fazendo boas ações, tanto na igreja, quanto na convivência conosco”, destaca Renan.

Salete permaneceu internada de terça feira, dia 25 até o sábado (30) à noite, quando foi confirmada a morte cerebral. No domingo (31), apesar de já ter a morte confirmada, os aparelhos ficaram ligados para manter os órgãos funcionando até que a equipe de Porto Alegre responsável pela captação chegasse, explica Renan.

O esposo José Abílio Perinazo afirma que não pensou duas vezes para tomar a decisão, “Ela sempre fez o bem, participávamos sempre de ações em benefício dos outros, então essa foi mais uma ação que conseguimos concretizar como família. Nos deixa mais confortável saber que com esse ato podemos salvar vidas”.

A equipe da Organização de Procura de Órgãos OPÔS 7, de Porto Alegre, realizou a captação dos dois rins e do fígado. A cirurgia encerrou às 17h, de domingo quando a equipe voltou para Porto Alegre para proceder com as doações destinadas para três pacientes. Este ano, foi o primeiro caso de doação realizado no Hospital Vida & Saúde.

Saiba Mais sobre doação de órgãos

Morte Encefálica

A morte encefálica é a interrupção irreversível das atividades cerebrais, causada mais frequentemente por traumatismo craniano, tumor ou derrame. Como o cérebro comanda todas as atividades do corpo, quando este morre, significa a morte do indivíduo. Quando este tipo de morte acontece, a vítima pode doar seus órgãos para aqueles que estão na fila por anos esperando a chance de retomarem suas vidas normalmente.

Doação de órgãos após a morte

Se há o desejo de ser um doador de órgãos a atitude mais importante é informar à família deste desejo, visto que, após a morte são eles que decidirão sobre a realização da doação.

Como fazer a doação no momento da morte de um familiar

Um dos membros da família pode e deve relatar ao médico que realizou o atendimento do paciente, sobre o desejo da vítima em doar seus órgãos para que o mesmo tome as providências necessárias para a realização da retirada dos órgãos.

Sistema de Capacitação de Órgãos

Se existe um doador em potencial, vítima de acidente com traumatismo craniano ou derrame cerebral (AVC), com confirmação da morte encefálica e autorização da família para a doação, a função dos órgãos deve ser mantida artificialmente. Seguem-se, então, as seguintes ações:

#A Central de Transplantes inicia os testes de compatibilidade entre o doador e os potenciais receptores, que aguardam em lista de espera.

#Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão sobre quem receberá o órgão passa por critérios previamente estabelecidos como: tempo de espera e urgência do caso.

#A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais e às equipes de transplantes responsáveis pelos pacientes.

#As equipes de transplantes, junto à Central de Transplantes, adotam as medidas necessárias – meio de transporte, cirurgiões e equipe multidisciplinar – para viabilizar a retirada dos órgãos.

#Os órgãos são retirados e os transplantes realizados.

Doação em vida

É possível também a doação entre vivos, no caso de órgãos duplos (ex: rim). No caso do fígado e do pulmão, também é possível o transplante entre vivos, sendo que apenas uma parte do órgão do doador poderá ser transplantada no receptor.

O "doador vivo" é considerado uma pessoa em boas condições de saúde – de acordo com avaliação médica – capaz juridicamente e que concorda com a doação. Por lei, pais, irmãos, filhos, avós, tios e primos podem ser doadores, os parentes podem ser doadores somente com autorização judicial.

Os órgãos e tecidos que podem ser obtidos de um doador vivo são:

#Rim: por ser um órgão duplo, pode ser doado em vida. Doa-se um dos rins e tanto o doador quanto o transplantado pode levar uma vida perfeitamente normal;

#Medula óssea: pode ser obtida por meio da aspiração óssea direta ou pela coleta de sangue;

#Fígado ou pulmão: poderão ser doadas partes destes órgãos.

LS NOROESTE BAZAR E PAPELARIA